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domingo, 18 de novembro de 2007

Caiu a máscara?


Dois estudos recentes levantam um debate capaz de deixar muita gente com rugas de preocupação. O DMAE, substância famosa por dar firmeza à pele, aceleraria o envelhecimento!


A suspeita vem de pesquisas de diferentes pontos do planeta — e, por coincidência, realizadas praticamente ao mesmo tempo. Uma leva a chancela da respeitada Universidade Laval, no Canadá, e a outra é assinada pela não menos importante Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Em ambas as instituições os especialistas investigaram os efeitos do popular DMAE, sigla para dimetilaminoetanol, nome científico de um ativo muito usado em cremes antiidade. Para espanto geral, os dois trabalhos chegaram à mesmíssima conclusão: o DMAE leva à morte dos fibroblastos, células que fabricam o colágeno, responsável pela firmeza da pele. Um verdadeiro anticlímax, já que essa ação seria oposta à tão alardeada promessa de rejuvenescimento.

No hemisfério norte os pesquisadores verificaram que, após 24 horas em contato com o DMAE, a taxa de mortalidade celular era de mais de 25%. Em território nacional a investigação aconteceu in vitro, ou seja, dentro de tubos de ensaio, mas confirmou a aceleração da morte dos fibroblastos observada no Canadá. “Decidimos examinar o DMAE porque ele tem sido amplamente utilizado mesmo sem pesquisas suficientes sobre seus efeitos”, conta o cirurgião plástico Alfredo Gragnani, que é professor auxiliar da Unifesp e coordenou a pesquisa. “E aí notamos que a chamada morte celular programada, que acontece naturalmente para que a pele se renove, era muito mais rápida e concentrada nas regiões onde o creme com a substância foi aplicado.”

Ironicamente, em vez de combater a flacidez e as rugas com uma boa esticada na pele, a substância — socorro! — levaria o tecido a um envelhecimento precoce. Isso significa que o DMAE merece o limbo — e para sempre? É cedo para uma resposta afirmativa e categórica. O estudo da Unifesp, por exemplo, ainda não foi concluído. “E há indícios de que o ativo também atua na matriz extracelular, estrutura que une as células da pele. Isso aumentaria a firmeza do tecido”, diz Gragnani. Mas será que a ação suspeita de aniquilar os fibroblastos compensaria esta última?

E os dermatologistas dizem o quê? Basedos em sua experiência clínica, eles garantem que o DMAE ainda não apresentou os efeitos indesejáveis apontados pelos dois trabalhos. “Para alguns pacientes a substância oferece ótimos resultados, para outros nem tanto”, revela Luciane Scattone, de São Paulo. “Uma coisa é certa: ninguém apresentou aumento da flacidez.” Roberto Barbosa Lima, do Rio de Janeiro, assina embaixo. “Nunca soube de efeitos nocivos da substância. Ao contrário, o aspecto da pele melhora a longo prazo.” Agora é esperar que os estudos apaguem o cenho franzido pelas dúvidas.

DE ONDE ELE VEM? Encontrado em peixes como o salmão, a anchova e a sardinha, o DMAE começou a ser pesquisado no final da década de 1990 pelo famoso dermatologista americano Nicholas Perricone, mas só aportou em terras brasileiras em 2002. Desde então o ativo virou figurinha fácil nas formulações de cremes. Ainda são necessários mais estudos para explicar exatamente como o dimetilaminoetanol age. Por enquanto a teoria mais aceita é de que ele aumentaria os níveis de acetilcolina, substância que torna os músculos mais firmes. Sua ação seria cumulativa. Por isso, além de proporcionar aquela esticadinha instantânea na pele, conhecida como efeito cinderela, o DMAE combateria as rugas e a flacidez a longo prazo. A questão é: e se, a longo prazo, o tiro sair pela culatra?

por Thais Szegö | design Letícia Raposo | foto Dercílio

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